
Dia de lavar roupas sujas. Aproveite, porque hoje foi o único dia em que a lavanderia estava aberta e todas as manchas foram notadas. Apenas notadas, mas elas continuaram lá, intactas, fedendo ainda, e formando bolores. Foi tudo muito estranho e espontâneo ao mesmo tempo. Ela me perguntou se eu a odiava e eu murmurei algo para que esperasse eu lembrar. Não havia outro jeito melhor de responder então essa foi a resposta. Eu não lhe perguntei se ela já havia sentido o mesmo por mim porque não precisei. Abruptamente, ela disparou todo o tipo de situações em que ficou no ápice do ódio por mim. Não quero que você pense que eu me sinto vítima e que nunca fiz nada errado para merecer tais acusações, mas o fato é que todos eram sem motivo aparente. Ela não sabia explicar o porquê de tudo aquilo o que comigo era mútuo em relação á ela. Tudo me magoou muito, claro, quem não se sente mal quando alguém lhe diz que já te odiou? Mas, não foi por isso. Ela disse que continuava a me odiar, e eu estou usando as palavras certas aqui. As que foram usadas em todo o diálogo, se é que posso chamar o que tivemos com essa palavra porque foi tudo menos um diálogo, mas o termo odiar, em todos os aspectos, se encaixava perfeitamente naquele ambiente em que eu, ela e outras mais, nos encontravam discutindo. Sim, acho que a palavra certa é essa. Se definir bate-boca, 2 tons de voz acima do normal, listas definindo os motivos para encontrarmos um sequer para explicar tudo, então é essa. E eu sabia que nada, a partir daquele dia seria o mesmo e que o clima tenso iria se prolongar dali até o fim do ano e que poderia ser cortada com uma faca de tão sólida.
- Você, alguma vez já me odiou ? – Disse ela, olhando sério e profundamente nos meus olhos a procura de uma resposta.
- Me deixe lembrar. – Disse eu, inclinando a cabeça para o lado e olhando para a esquerda aparentando fazer o que de fato eu disse que faria. Apesar de tudo o que havia acontecido conosco, nós estreitávamos uma relação normal, cheias de piadas diárias, fofocas e todo o tipo de coisa adolescente. Mesmo assim, eu sabia que no fundo, bem no fundo, eu me sentia totalmente em cólera pelo que ela havia feito comigo. Roubado minha amiga, estar namorando com o garoto que eu mais amei e sendo muito indiferente comigo algumas vezes. Os motivos, além desses que eu citei, também compreendiam as mais incompreensíveis e inimagináveis motivos para se começar uma briga. Ah, desculpe. Você deve estar pensando que sou algum tipo de drogada, barraqueira e rebelde que arranja briga com todos e por qualquer motivo. Não, você me conhece. Eu sou um pouco neurótica e ela também. Sou um pouco estressada (só um pouco, tudo bem?) e ela também. Somos desconfiadas por tudo e talvez sejam todos esses pontos em comum que nos separam cada vez mais.
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