sábado, 23 de outubro de 2010


Eu sonhei com você, mas você era apenas um coadjuvante em comparação a sua voz. Sim, sonhei com a sua voz, e eu via a mim mesma como seu fosse uma observadora da mesa da frente. Enquanto você falava e eu fingia olhar para o papel, o meu coração disparava. Eu sentia o seu cheiro e o seu sotaque.Foi como numa daquelas vezes que você me explicava alguma coisa em inglês e eu não compreendia nada e nem tentava entender, só buscava um explicação para o que eu sentia, mas depois eu desisti e me entreguei á minha psicose e me alimentava da sua voz. Ah, você não sabe o quão bom era ouvi-la. O melhor de tudo era que você sabia que eu gostava mas nós travamos um pacto implícito. Quando você me olhava pelo canto do olho era como se entrelaçássemos os dedos mindinhos e murmurássemos:
- Eu sei como você sente, mas vamos fingir que não. – E eu nem precisava concordar. Você sabia que eu aceitaria até se fosse pra que eu me jogasse de um penhasco. Você me conhecia e eu sempre guardei minhas palavras e entreguei meus lábios. Era recíproco.
Era.

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