domingo, 15 de agosto de 2010

METRÔ

Quarta-feira, hora melancólica das 5:30, quando chove. Choveu úmido e frio na tarde antes sufocante de novembro. Ela caminhava na direção do metrô, os sapatos molhados. Pelo menos o metrô lhe parecia um progresso no meio dos tempos decadentes. Dava-lhe a sensação de estar em outro país. A decadência a assustava. Suas meias vermelhas e a bainha de sua saia quadriculada de estudante já estavam salpicadas pela lama quando ela estava na sua caminhada para o metrô e pelo ir-e-vir das pessoas apressadas que passavam por ela. O grande relógio da estação marcava 7:00 e sua mãe a queria em casa ás 6:00 h. Parecendo estar mais apressada do que as pessoas que a sujaram, desceu a escada rapidamente fazendo com que a sola de seus sapatos, que faziam contado com os degraus, reproduzisse um barulho seqüencial de batidinhas como saltos de madeira sobre o piso sólido. Parar para respirar, segurando o corrimão da escada, ela avistou uma multidão de gente impaciente. Aquilo a assustava mais ainda. Mais do que a decadência do lugar. Rostos assustadores e suados, homens com pastas seguras nas mãos. Subitamente ela temia até os bebês com seus gorros coloridos. Era a primeira vez que ela vira tanta gente junta e muito menos para adentrar em um simples metrô. Por um instante ela ficou parada, perplexa, tentando digerir aquele sentimento nunca antes sentido. Foi então que ela sentiu algo a tocando no ombro e alguém a avisando para prosseguir. A voz era macia e rouca ao mesmo tempo. Curiosa como era, virou-se e se deparou com um rapaz loiro e que a aludia ser de descendência alemã. Ele sorriu compreensiva e apreensivamente, mas ao mesmo tempo com doçura. Mesmo sendo um dia chuvoso e nublado, ela estranhamente viu algo iluminar aquele rapaz desconhecido enquanto ele sorria para ela. Ela estava prestes a dar o próximo passo para descer o degrau. De repente, outra voz. Essa era conhecida e, automaticamente, ela ignorou. Mesmo assim a voz continuava a se instalar nos ouvidos dela.
Ela acordou. Ainda eram 3:00 da manhã.
‘’Mônica, hoje eu a espero em casa ás 6:00. E seu pai não poderá ir buscá-la, portanto pegue o metrô e esteja aqui na hora combinada.’’
Mônica voltou a dormir.

*o trecho em itálico não é de minha autoria. Eu apenas continuei a história.

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