sábado, 28 de agosto de 2010

Ela via as pessoas ao seu redor preocuparem-sem com alguém em especial. Ela via a pessoa especial receber mais de uma carta quando a professora pediu que todos mandassem uma para alguém que gostasse. E então ela esperou. Um por um, e seu nome nunca foi dito. Sequer uma vez. Ela não recebeu nenhuma carta. Ela só recebeu uma de duas pessoas porque elas viram que ela não havia recebido nenhuma. Ela era forte, mas naquele momento ela queria ir ao banheiro e chorar incessantemente, mas ela não podia porque seus olhos já mostravam o mais puro ressentimento. Sua voz embargada não a permitira evocar o mais simples pedido. Como ela era forte e já estava habituada com as censuras emocionais, ela fez muito bem o seu trabalho. Recebeu sua carta sorrindo, mas com indiferença. Ela não queria, mas era preciso. Ela se preocupava com alguém especial. Uma amiga especial, mas naquele momento ela já não sabia se ela era tão especial. Não sabia se receberia sequer uma carta dela. Agora ela tinha certeza. Ela não receberia. Não. E então ela se pôs a esquecê-la. Não foi fácil. Não é fácil, mas a cada dia uma parte da sua amiga especial se vai e ela se sente cada vez mais vazia. Mas não é pela ausência dos fragmentos da outra, porque ela se tornara inútil para ela. Agora, ela sentia falta do que lhe fizessem bem, do que a fizesse se preocupar. Queria se preocupar em fazer alguém feliz , e não se preocupar para que não a fizessem sofrer.
Ela ainda está em busca.

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